sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Resenha: “Recomeçar”, Tim Bernardes
“Eu quis mudar / E isso implicava em deixar para trás / Meu chão, meu conforto, o certo, a paz / Eu fui a procura de mais". Ainda que existam diferentes formas de interpretar e encaixar a poesia libertadora de Quis Mudar, terceira faixa do primeiro álbum em carreira solo de Tim Bernardes, Recomeçar (2017, Risco), não há como negar que sobrevive ali um perfeito resumo do novo posicionamento do cantor e compositor paulistano. Uma ruptura sutil, como um breve distanciamento do material que vem sendo explorado pelo artista na curta discografia d’O Terno, projeto em que atua como guitarrista/vocalista desde o início da presente década. Para além de possíveis burburinhos, o trabalho como integrante da banda paulistana segue sem interrupções, ainda embalado pelo maduro acabamento do recente Melhor Do Que Parece (2016), terceiro registro de inéditas do grupo. Trata-se de apenas de uma curva leve na carreira de Bernardes, como um convite a explorar as angústias e conflitos particulares do cantor, dificilmente externadas em um projeto coletivo. Versos dotados de uma poesia grandiosa, mesmo na delicada tapeçaria instrumental que amarra cada composição. Dotado de um lirismo agridoce, Recomeçar joga com a dor e o acolhimento dos versos a todo instante, costurando tormentos intimistas, declarações de amor e conflitos que bagunçam a mente de Bernardes.
Uma obra de essência particular, como um abrigo poético, mas que se conecta diretamente ao ouvinte logo em uma primeira audição. Entre arranjos orquestrais, sempre precisos, a passagem direta para um mundo de sentimentos confessos, postura reforçada logo na inaugural Talvez (“Eu não quis ouvir / Fui me fechar / Pra tudo que eu / Não conheço“), mas que cresce à medida que avançamos pelo registro.
Próximo e ao mesmo tempo distante do material que vem produzido como integrante d’O Terno, Recomeçar trata da melancolia de Bernardes (e do próprio ouvinte) com uma honestidade rara. Difícil não desmoronar ao bater de frente com faixas como Não (“Eu acredito que não foi por mal / Mas que fez muito mal pra mim / Fez mesmo“) e, principalmente, a sorumbática Ela (“Quase como que anestesiada / Vai deixando a vida carregar / Ela sentiu mais do que aguentava / Não quer sentir nada nunca mais“). Composições sempre econômicas na construção dos versos, porém, ricas em significado.
Mesmo quando foge da temática sentimental e observa o próprio entorno, Bernardes mantém firme o conceito melancólico do registro. Exemplo disso está na sóbria Tanto Faz, quarta faixa do álbum. Entre ambientações acústicas, a voz do músico explode: “Tanto faz / Quem saiu, quem entrou / Tanto faz / De que lado ficou / Tanto faz / Eu vou sempre perder“. Versos que passeiam pelo atual cenário político brasileiro de forma descrente, como uma extensão do tom pessimista que marca os instantes finais do último registro de inéditas d’O Terno. Nada que se compare ao cuidado do artista em As Histórias do Cinema. Uma composição marcada pela descrição dos versos e delicado jogo entre a realidade dos filmes e os personagens interpretados diariamente pelas pessoas (“E a vida parece mentira / Por que não quer acreditar / Que as histórias do cinema / É que não podem ser reais“).
Curioso notar como toda essa seleção de versos talvez passasse despercebida se não fosse pelo elaborado arranjos de cordas que cobre toda a superfície do registro. São quase cinco décadas de referências organizadas em um mesmo ambiente instrumental, como se a obra Scott Walker, The Beach Boys e Roy Orbinson encontrasse com o trabalho de nomes recentes do folk norte-americano, caso de Fleet Foxes e Sufjan Stevens. Prova disso está na autointitulada faixa de encerramento do disco, composição capaz de jogar com o uso de pequenos respiros e atos orquestrais que antecedem a explosão dos versos, trazendo flexibilidade das palavras um misto de fechamento e regresso ao início da obra (“O que começa terá seu final / E isso é normal … A dor do fim vem pra purificar / Recomeçar“).
Personagem central da própria obra, Bernardes não apenas assume a composição dos versos, traduzindo as próprias experiências e sentimentos de forma sempre expositiva, honesta, como detalha cada fragmento instrumental, arranjo de cordas, sopros e vozes que ocupam as brechas do registro. Um exercício particular, porém, completo pela breve interferência de nomes como Gui Jesus Toledo, responsável pela gravação do álbum, e todo o time de músicos que cercam o paulistano do primeiro ao último instante da obra, fazendo de Recomeçar um imenso e precioso labirinto de sensações.
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Ruído em Progresso: Rakta + As Mercenárias
As Mercenárias, lideradas por Sandra Coutinho, recebem a Rakta no palco para um encontro inédito que reúne duas gerações do punk feminino.
por Bruna Bittencourt
Separadas
por um intervalo de 30 anos, duas gerações do punk feminino se encontram no
palco do Centro Cultural São Paulo. De um lado, estão As Mercenárias, velhas
conhecidas do público paulistano. Liderada por Sandra Coutinho, a banda
surgiu nos anos 80 e foi um dos primeiros grupos punk formados por mulheres
(ainda que Edgard Scandurra tenha sido o baterista na primeira formação). Do
outro, o trio Rakta, uma das
melhores novidades da cena roqueira independente nacional. "Cada
integrante da banda conheceu As Mercenárias em épocas diferentes", conta Paula Rebellato, voz e
teclados do grupo fundado em 2011.
Sandra é hoje a única remanescente da formação original das
Mercenárias. Em 1990, depois de dois discos lançados (Cadê as Armas?, 1986, e Trashland, 1988), a banda
foi dispensada pela gravadora via telegrama. Com o fim do grupo, a baixista
trocou o Brasil pela Alemanha, decisão motivada também por um
relacionamento e uma inclinação à música experimental e de improvisação.
"Não tinha perspectiva para esse tipo de som aqui. Com as Mercenárias, já
era difícil".
Foram 14 anos fora do país e quando voltou, em
2004, Sandra ficou surpresa ao tomar conhecimento do público que sua banda
ainda tinha, descoberta feita em uma apresentação d'As Mercenárias no Sesc
Pompeia, em São Paulo. "Sabe um dragão adormecido? Fiquei espantada:
estava muito cheio e havia muita gente cantando." Em 2005, o lançamento da
coletânea da banda (Brazilian post-punk 1982-1988
- O começo do fim do mundo) deu
mais um impulso ao grupo e, desde então, As Mercenárias têm tocado com
frequência, ainda que em diferentes formações.
Já a Rakta lançou, pelo selo americano Iron Lung, seu segundo álbum, III
- o nome é uma referência à estreia da banda como trio. A saída da
guitarrista Laura Del Vecchio, após o primeiro disco da banda, levou Paula, a
baixista Carla Boregas e a baterista Nathalia Viccari a reformularem o som da
Rakta. "A gente passou a explorar ainda mais camadas de atmosfera para
preencher o som. É legal você estar em um festival de rock e falar:
'Nosso grupo não tem guitarra'. É uma formação interessante. A gente não sente
falta hoje em dia", conta Paula. "Atmosférico",
"ritualístico" e "bruxesco" são adjetivos usados para
descrever o som do trio, que tem um trânsito crescente fora do Brasil.
Em 2014, fizeram uma
turnê de três meses pela Europa. No ano passado, excursionaram por Japão,
Canadá e Estados Unidos. Neste ano, já passaram por México, Colômbia, novamente
Estados Unidos (Texas) e vão ao Peru. Por aqui, ingressaram no circuito de
festivais e desde o início do ano tocaram no Bananada (Goiânia) e no Coquetel
Molotov (Recife).
Matriarcado
O feminismo é
inerente ao Rakta, por ser um grupo punk formado apenas por mulheres.
"Estarmos em festivais, lançando discos, viajando, ocupando esses lugares,
dispensam uma manifestação verbal [sobre feminismo]. A ação é um
ato político por si só", afirma Paula. "Todas nós vivenciamos ele à
nossa maneira e conseguimos transcrever isso com a banda, com as músicas. Nunca
ficamos falando que somos feministas em show. É muito o que a gente é e
faz", explica a tecladista.
A percepção sobre o assunto é similar ao que pensa Sandra.
"Não sou militante. Sou fruto do matriarcado. Minha avó ficou viúva e se
virou para criar os filhos. Minha mãe sempre foi muito independente, comprou um
carro com 18 anos, era professora primária e queria usar calça porque achava
mais prático. Ela simplesmente fez, realizou", conta. "Ana e Rosália [integrantes da banda nos anos 80] tinham filhos sem maridos, se viravam,
mas isso nunca foi o tema de uma letra. Na época, havia outras questões acima,
como direitos humanos e democracia, estávamos saindo de uma ditadura",
lembra a baixista d'As Mercenárias.
No show, Rakta e Mercenárias tocam
músicas de cada banda e mostram duas novas, criadas a várias mãos. "O
resto são transições das nossas faixas para as delas, algumas interações entre
elas", conta Paula. "Elas contribuem em nossas músicas e
vice-versa", diz Sandra. Literalmente, um encontro de gerações.
Foram 14 anos fora do país e quando voltou, em 2004, Sandra ficou surpresa ao tomar conhecimento do público que sua banda ainda tinha, descoberta feita em uma apresentação d'As Mercenárias no Sesc Pompeia, em São Paulo. "Sabe um dragão adormecido? Fiquei espantada: estava muito cheio e havia muita gente cantando." Em 2005, o lançamento da coletânea da banda (Brazilian post-punk 1982-1988 - O começo do fim do mundo) deu mais um impulso ao grupo e, desde então, As Mercenárias têm tocado com frequência, ainda que em diferentes formações.
Já a Rakta lançou, pelo selo americano Iron Lung, seu segundo álbum, III - o nome é uma referência à estreia da banda como trio. A saída da guitarrista Laura Del Vecchio, após o primeiro disco da banda, levou Paula, a baixista Carla Boregas e a baterista Nathalia Viccari a reformularem o som da Rakta. "A gente passou a explorar ainda mais camadas de atmosfera para preencher o som. É legal você estar em um festival de rock e falar: 'Nosso grupo não tem guitarra'. É uma formação interessante. A gente não sente falta hoje em dia", conta Paula. "Atmosférico", "ritualístico" e "bruxesco" são adjetivos usados para descrever o som do trio, que tem um trânsito crescente fora do Brasil.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Os Últimos Anos do Charlie Brown Jr., em Fotos
Nova foto-biografia do grupo de Santos apresenta retratos íntimas, mas também traz à tona as tretas nos bastidores que pairam até hoje sobre a banda
por Marcos Candido
Um dos
últimos projetos de Alexandre Magno "Chorão", líder do Charlie
Brown Jr., foi um livro de fotografia com imagens de dentro do
estúdio, alguns momentos introspectivos à beira-mar e turnês realizadas entre
2005 e 2012. Pensado em 2011, o livro Eu Estava Lá Também (Editora Realejo) foi lançado só agora, no dia 9 de abril,
quatro anos após a morte do vocalista. As 350 fotos publicadas são como uma
homenagem dos fãs à banda, embora escondam os conflitos trágicos e troca de
acusações nos bastidores que até hoje pairam sobre o legado do grupo.
Ao abrir o gigante volume (30x30
centímetros), é possível notar algumas dessas desavenças com a ausência de
figuras importantes, como da esposa de Graziela Gonçalves, esposa de Chorão por
cerca de duas décadas (eles estavam separados há três meses antes da morte do
músico).
Outra lacuna é a do nome do fotógrafo Jerri Rossato Lima, que divide a
autoria das imagens com Alexandre Abrão, filho de Chorão. Segundo Jerri, o
livro impresso "não é o mesmo criado" pelo músico de Santos. O
fotógrafo acusa os editores e os herdeiros de excluí-lo da seleção final,
alterar o projeto gráfico e retirar Graziela. "As fotos da
companheira de Chorão por cerca de 20 anos, Graziela Gonçalves, que faziam
parte do projeto original, foram excluídas do livro. A pessoa que inspirou
diversas músicas escritas por Chorão [como o hit Proibida Pra Mim] foi
excluída da sua própria história", diz Jerri. No projeto apresentado
por Jerri à reportagem, a ex-esposa aparece ao lado do músico e há
grafismos diferentes dos que foram lançados agora.
O editor
José Luiz Tahan defende que as imagens escolhidas estavam sobre a mesa
da casa onde Chorão foi encontrado morto."Acredito que naquele
momento ele desejou excluí-la [Graziela Gonçalves] do projeto", diz o
editor. "Nós respeitamos essa decisão, até porque as esposas dos outros
músicos também não foram incluídas no livro". Já para Alexandre, o formato
de Jerri precisava de alterações que atendessem o "grau de
exigência" esperado pelo pai. Ao não conter imagens na companhia da
ex-esposa no último rascunho do livro deixado por Chorão, o filho
argumenta que o pai é quem tomou a decisão de não incluí-la.
Segundo o
editor Tahan, desde 2012 a produção do livro havia sido interrompida
"quase semanalmente" pelo próprio Chorão. "A cada ano o Chorão
falava em finalizar o livro, que sofria diversas alterações", argumenta.
Um dos motivos, ele explica, foi a volta de antigos membros à banda, como o
guitarrista Marcão e o baixista Champignon.
Como se sabe hoje, o retorno dos
originais foi turbulento. Em 2012, durante um show no Paraná, Chorão acusou o
colega de retornar à banda por motivos financeiros e o
baixista abandonou o palco. Meses depois, ambos apareceram em um vídeo
constrangido de desculpas, publicado via YouTube. Meses de estrada se passaram
quando, no dia 6 de março de 2013, Chorão foi encontrado morto no apartamento
onde morava em São Paulo. Tentando dar continuidade aos projetos musicais enquanto
enfrentava um divórcio e o luto, Champignon se matou em setembro do mesmo ano.
A responsabilidade pelo livro coube, então, aos herdeiros e aos
profissionais escalados no início da produção, que decidiram continuar com a
produção. Depois das disputas para decidir o rumo da obra, Jerri Rossato
decidiu por retirar seu nome do livro - Eu Estava Lá Também é assinada apenas com "uma
obra de Chorão" na capa.
Mesmo com o fim ruidoso da banda acostumada
a mensagens positivas, vida e obra do Charlie Brown Jr. seguem como referência
para uma comunidade de seguidores por todo o país: Eu Estava Lá Também contou com o apoio dos fãs, que por meio de um
crowdfunding ajudaram a financiar o livro com fotos que miram as lentes para o
bom astral habitual do palco. Há imagens de Chorão abraçado com Pelé,
viajando alegre ao lado dos colegas e do skate, esporte que foi uma
de suas várias marcas.
Virada Cultural 2017
CENTRO
VALE DO ANHANGABAÚ – MUSICAIS
21 0h Beatles num Céu de Diamantes
21 13h 60! Década de Arromba
21 16h Alegria, Alegria
21 13h 60! Década de Arromba
21 16h Alegria, Alegria
TABLADOS
COPAN – CABARÉ QUEER
Av. Ipiranga
20 22h Edy Star
21 07h Marcelo Veronez – Não Sou Nenhum Roberto
21 07h Marcelo Veronez – Não Sou Nenhum Roberto
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| André Frateschi e Banda Heroes |
BOULEVARD SÃO JOÃO – TRIBUTOS
20 18h Curumin canta Stevie Wonder
21 00h Um Baile por Tim Maia Racional
21 03h BluBell canta Madonna
21 06h André Frateschi e Banda Heroes (Tributo David Bowie)
21 09h Filipe Catto canta Cassia Eller
21 12h RITCHIE & BLACKTIE – OLD FRIENDS – the songs of PAUL SIMON
21 15h Roberta canta Roberto
21 17h Dê um Rolê – Homenagem aos Novos Baianos
21 00h Um Baile por Tim Maia Racional
21 03h BluBell canta Madonna
21 06h André Frateschi e Banda Heroes (Tributo David Bowie)
21 09h Filipe Catto canta Cassia Eller
21 12h RITCHIE & BLACKTIE – OLD FRIENDS – the songs of PAUL SIMON
21 15h Roberta canta Roberto
21 17h Dê um Rolê – Homenagem aos Novos Baianos
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| The Baggios |
7 DE ABRIL – ROCK
20 18h Finger Fingerrr
20 20h The Baggios
20 22h Maglore
21 00h Vermes do Limbo+Bernardo Pacheco
21 02h Pin Ups
21 04h Garage Fuzz
21 06h Dominatrix
21 08h Ian Ramil
21 10h Sara Não tem nome
21 12h Luiza Lian – Oya Tempo
21 14h Baleia
20 20h The Baggios
20 22h Maglore
21 00h Vermes do Limbo+Bernardo Pacheco
21 02h Pin Ups
21 04h Garage Fuzz
21 06h Dominatrix
21 08h Ian Ramil
21 10h Sara Não tem nome
21 12h Luiza Lian – Oya Tempo
21 14h Baleia
AROUCHE – JAZZ
20 18h Orleans Street Band
20 19h DJ Leo Lucas
20 20h Vruumm
20 22h Nomade Orquestra
21 0h Hammond Grooves
21 1h30 DJ Elohim
21 2h30 Sollana AllStars
21 4h DJ Dubstrong
21 5h Mental Abstrato
21 7h Amoradia do Som e Dharma Samu
21 9h DJ Tahira
21 10h Carlos Malta
21 12h Projeto Coisa Fina
21 14h DJ Nuts
21 15h15 Julio Bittencourt Trio e Leo Gandelman
21 16h30 Tributo ao Weather Report
20 19h DJ Leo Lucas
20 20h Vruumm
20 22h Nomade Orquestra
21 0h Hammond Grooves
21 1h30 DJ Elohim
21 2h30 Sollana AllStars
21 4h DJ Dubstrong
21 5h Mental Abstrato
21 7h Amoradia do Som e Dharma Samu
21 9h DJ Tahira
21 10h Carlos Malta
21 12h Projeto Coisa Fina
21 14h DJ Nuts
21 15h15 Julio Bittencourt Trio e Leo Gandelman
21 16h30 Tributo ao Weather Report
CINEMA AO AR LIVRE
RUA DO TESOURO x RUA DIREITA – REFUGIADOS
20 18h Projeção do Making Off do premiado filme “Era o Hotel Cambrigde”, bate-papo com a Cineasta Eliane Caffé e atores do filme, entre eles refugiado e imigrantes
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| E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante |
PRAÇA DOM JOSÉ GASPAR – INSTRUMENTAL
20 18h Vitor Araujo
20 20h Quartabê
20 22h Strobo
21 00h The Gasolines
21 02h Félix Robatto
21 04h E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante
21 06h Meneio
21 08h M. Takara
21 10h Quarteto Roda de Choro
21 12h Amilton Godoy e Léa Freire – Homenagem aos compositores Brasileiros
21 14h Guizado
21 16h Dudu Lima Trio
21 18h Guilherme Kastrup
20 20h Quartabê
20 22h Strobo
21 00h The Gasolines
21 02h Félix Robatto
21 04h E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante
21 06h Meneio
21 08h M. Takara
21 10h Quarteto Roda de Choro
21 12h Amilton Godoy e Léa Freire – Homenagem aos compositores Brasileiros
21 14h Guizado
21 16h Dudu Lima Trio
21 18h Guilherme Kastrup
PRAÇA DA REPUBLICA X PEDRO AMERICO – KOMBRODOMO
20 Komboio Cultural (AFROLATINA/JAZZ)
20 Folk na Kombi
21 Jazz na Kombi
20 Folk na Kombi
21 Jazz na Kombi
DOM JOSÉ GASPAR – PIANO NA PRAÇA
21 01h Eduardo Dusek
21 03h Simoninha
21 05h Fernanda Porto
21 03h Simoninha
21 05h Fernanda Porto
AV. SÃO LUIS – BIG BANDS
20 18h Big da Santa
20 20h30 Big Band Senior
20 23h Banda Jazzco
21 1h30 Banda Urbana
21 4h30 Orquestra Arruda Brasil
21 7h JuruFrevo Big Band
21 9h30 Ensemble Brasileiro
21 12h Mario Campos Consenso Big Band
21 14h30 SP Jazz Big Band
21 17h00 Freedom Big Band
20 20h30 Big Band Senior
20 23h Banda Jazzco
21 1h30 Banda Urbana
21 4h30 Orquestra Arruda Brasil
21 7h JuruFrevo Big Band
21 9h30 Ensemble Brasileiro
21 12h Mario Campos Consenso Big Band
21 14h30 SP Jazz Big Band
21 17h00 Freedom Big Band
LOVE STORY – INTERVENÇÕES
20 20H Na Selva da Cidade
Video Mapping (projeções) – Theatro Municipal
20 21 O tempo não pára
20 23h São Paulo, meu amor
20 23h São Paulo, meu amor
PRAÇA DAS ARTES
20 19h Pink Floyd cover: Mágico do Oz + Pink Floyd
20 22h Mr. Kurk: Fantasia + Clássicos do Rock
21 00h Trupe Chá de Boldo + A Fantástica Fábrica de Chocolate
21 3h Radiohead Cover: Nosferatu + Radiohead
20 22h Mr. Kurk: Fantasia + Clássicos do Rock
21 00h Trupe Chá de Boldo + A Fantástica Fábrica de Chocolate
21 3h Radiohead Cover: Nosferatu + Radiohead
CENTRO CULTURAL OLIDO
Sala Paissandu
21 03h Pelico
21 06h Isso Não É Um Sacrifício – Christiane Tricerri
21 06h Isso Não É Um Sacrifício – Christiane Tricerri
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| Titãs |
VIRADA DESCENTRALIZADA
PARQUE ANHEMBI – Sambódromo
PALCO ANHEMBI
21 12h Titãs
CHÁCARA DO JOCKEY
PALCO 1
21 18h Nando Reis
PISTA DE SKATE
20 18h Dubversão Sistema de Som
20 19h tela bruta
20 22h FEMININE HI FI
21 2h Lei Di Dai – Gueto pro Gueto – Sistema de Som
20 19h tela bruta
20 22h FEMININE HI FI
21 2h Lei Di Dai – Gueto pro Gueto – Sistema de Som
Centro Cultural da Juventude
20 18h Lixomania
20 20h Invasores de Cérebro
20 22h Ratos de Porão
21 10h Simbad, o Navegante – Circo Mínimo
21 14h GAGÁ
21 16h Banda Maverick Soul
21 16h Não Recomendados
21 18h Opalas + Nereu Mocotó
20 20h Invasores de Cérebro
20 22h Ratos de Porão
21 10h Simbad, o Navegante – Circo Mínimo
21 14h GAGÁ
21 16h Banda Maverick Soul
21 16h Não Recomendados
21 18h Opalas + Nereu Mocotó
Centro Cultural Cidade Tiradentes
21 00h Tribo de Jah
Centro Cultural da Penha
20 18h Guilherme Arantes
20 20h Vanusa
20 22h Tributo a Jerry Adriani: Autoramas + Erika Martins + Astronauta Pinguim
+ China + Kiko Zambiancchi + Lilian + Eduardo Araujo
21 14h A Feira de Chico, Gonzaga e Jackson
21 16h SARAU DO PEIXE (Coletivo Estopô Balaio de criação, memória e narrativa)
21 18h Erasmo Carlos
20 20h Vanusa
20 22h Tributo a Jerry Adriani: Autoramas + Erika Martins + Astronauta Pinguim
+ China + Kiko Zambiancchi + Lilian + Eduardo Araujo
21 14h A Feira de Chico, Gonzaga e Jackson
21 16h SARAU DO PEIXE (Coletivo Estopô Balaio de criação, memória e narrativa)
21 18h Erasmo Carlos
Centro Cultural Tendal da Lapa
21 0h Dead Fish
21 14h Música “PROJETO ROCK NO TENDAL – DEATH BY STARVATION VAZIO, CREPTUM, SLOV”
21 14h Música “PROJETO ROCK NO TENDAL – DEATH BY STARVATION VAZIO, CREPTUM, SLOV”
Centro Cultural da Vila Formosa
21 20h Mustache & Apaches
CENTRO CULTURAL SÃO PAULO
Sala Adoniran Barbosa
20 18h Juçara Marçal
20 20h Mariana Aydar
20 22h Barbara Eugênia
21 01h Tiê
21 02h Anelis Assumpção
21 4h Cidadão Instigado
21 8h Operilda na Orquestra Amazônica
21 10h Cocô de Passarinho
21 12h Mahmundi
21 14h Curumin
21 16h Karina Buhr
21 18h Siba
20 20h Mariana Aydar
20 22h Barbara Eugênia
21 01h Tiê
21 02h Anelis Assumpção
21 4h Cidadão Instigado
21 8h Operilda na Orquestra Amazônica
21 10h Cocô de Passarinho
21 12h Mahmundi
21 14h Curumin
21 16h Karina Buhr
21 18h Siba
Biblioteca Viriato Correa
21 16h Rauzitos – A Lenda do Maluco Beleza
CASAS DE CULTURA
Casa de Cultura do Butantã
20 17h Mustache & Apaches
Casa de Cultura do Ipiranga Chico Science
20 19h Banda 123 & Jah!
Casa de Cultura do Campo Limpo
20 22h Nanny Soul & Banda
21 11h Banda 123 & Jah!
21 17h Picanha de Chernobill
21 11h Banda 123 & Jah!
21 17h Picanha de Chernobill
CINESESC
rua augusta, 2075
Retirada de ingressos 1h antes de cada sessão, na bilheteria do Cinesesc.
rua augusta, 2075
Retirada de ingressos 1h antes de cada sessão, na bilheteria do Cinesesc.
Trainspotting: Sem Limites. (Dir: Danny Boyle. GBR, 1996,
93’). Em Edimburgo, na Escócia, vive Renton, um jovem usuário de heroína que
leva uma vida despreocupada, dividindo-se entre seu romance com a estudante colegial
Diane e os encontros com seus quatro amigos viciados. 18 anos. 20/5. Sábado,
18h.
Sid e Nancy. (Dir.: Alex Cox. GBR/EUA, 1987, 100’). Baixista do grupo Sex Pistols, ícone do punk rock inglês do final dos anos 70, Sid Vicious já vivia uma vida problemática e revoltada como bom artista punk. Mas seu comportamento só piorou depois de conhecer a jovem Nancy Spungen. 18 anos. 20/5. Sábado, 20h.
T2 Trainspotting. (Dir.: Danny Boyle. GBR 2017, 117’). Renton retorna à cidade natal depois de vinte anos de ausência. 16 anos. 20/5. Sábado, 22h.
Polyester. (Dir.: John Waters. EUA, 1981, 86’). Fancine é uma mãe de família que luta para salvar seu casamento e seus filhos. Mas ela descobre que seu marido tem um caso com a secretária, que sua filha é ninfomaníaca e, seu filho, um maníaco pedólatra. 18 anos. 21/5. Domingo, 00h.
Sid e Nancy. (Dir.: Alex Cox. GBR/EUA, 1987, 100’). Baixista do grupo Sex Pistols, ícone do punk rock inglês do final dos anos 70, Sid Vicious já vivia uma vida problemática e revoltada como bom artista punk. Mas seu comportamento só piorou depois de conhecer a jovem Nancy Spungen. 18 anos. 20/5. Sábado, 20h.
T2 Trainspotting. (Dir.: Danny Boyle. GBR 2017, 117’). Renton retorna à cidade natal depois de vinte anos de ausência. 16 anos. 20/5. Sábado, 22h.
Polyester. (Dir.: John Waters. EUA, 1981, 86’). Fancine é uma mãe de família que luta para salvar seu casamento e seus filhos. Mas ela descobre que seu marido tem um caso com a secretária, que sua filha é ninfomaníaca e, seu filho, um maníaco pedólatra. 18 anos. 21/5. Domingo, 00h.
The Doors. (Dir.: Oliver Stone. EUA, 1991, 120’). Anos 60. A ascensão de Jim Morrison, vocalista da banda de rock The Doors. 18 anos. 21/5. Domingo, 2h.
Garotos de Programa. (Dir: Gus Van Sant, EUA, 1991, 105’). Mike e Scott são dois jovens garotos de programa que moram nas ruas de Portland, Oregon. Os dois fazem parte de um grupo de libidinosos excluídos sociais, que se juntam num prédio condenado para fazer tumulto e se venderem a quem esteja disposto a pagar por eles. 18 anos. 21/5. Domingo, 14h.
Edukators. (Dir.: Hans Weingartner. ALE, 2004, 127’). Jan e Peter são dois jovens que acreditam que podem mudar o mundo. Eles se autodenominam “Os Educadores”, rebeldes contemporâneos que expressam sua indignação de forma pacífica. 12 anos. 21/5. Domingo, 16h.
Garotos de Programa. (Dir: Gus Van Sant, EUA, 1991, 105’). Mike e Scott são dois jovens garotos de programa que moram nas ruas de Portland, Oregon. Os dois fazem parte de um grupo de libidinosos excluídos sociais, que se juntam num prédio condenado para fazer tumulto e se venderem a quem esteja disposto a pagar por eles. 18 anos. 21/5. Domingo, 14h.
Edukators. (Dir.: Hans Weingartner. ALE, 2004, 127’). Jan e Peter são dois jovens que acreditam que podem mudar o mundo. Eles se autodenominam “Os Educadores”, rebeldes contemporâneos que expressam sua indignação de forma pacífica. 12 anos. 21/5. Domingo, 16h.
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Entrevista | Guilherme Arantes | Moto Perpétuo

Antes de começar uma carreira solo repleta de hits emplacados em rádios e novelas, Guilherme Arantes explorou uma veia roqueira como vocalista, tecladista e principal compositor na banda Moto Perpétuo. Ao lado de Egydio Conde (guitarra e vocais), Diógenes Burani (percussão e vocais), Gerson Tatini (contrabaixo e vocais) e Cláudio Lucci (violões, violoncelo, guitarra e vocais), ele gravou o álbum homônimo da banda, lançado em 1974. A sonoridade pode ser comparada ao som progressivo feito pelo Yes ou pelos Mutantes na época, além de nomes como Clube da Esquina, Secos & Molhados, Genesis, King Crimson, O Terço e outras influências que o próprio Arantes citou, como algumas bandas progressivas italianas.
Agora, o álbum acaba de receber uma reedição em CD, já disponível nas principais lojas do Brasil e com todas as faixas que compunham a obra original, como “Mal o Sol”, “Verde Vertente”, “Matinal”, “Duas” e “Turba”, (você pode ouvir aqui: https://youtu.be/_u0g3UEsJbc.) Para celebrar o relançamento e o momento de redescoberta desta pérola perdida na história do rock brasileiro, Guilherme Arantes, em entrevista, deu detalhes de tudo que aconteceu nesta fase que ele lembra com carinho e define como “a infinita beleza do idealismo”.

Você e Cláudio se conheceram na faculdade de arquitetura, certo? Como foi a aproximação com Egydio, Diógenes e Gerson? O que moveu vocês a montarem a Moto Perpétuo?
Diógenes foi o primeiro que eu conheci, alguns anos antes, precisamente na peça Plug, na Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar, uma peça produzida pelo meu primo Solano Ribeiro, importante produtor dos Festivais da Record e FIC da Globo. Com Diógenes e com Rodolfo Grani Júnior, eu tocaria com Jorge Mautner no Teatro Ruth Escobar e no Teatro Treze de Maio, em São Paulo.
Quando entrei na faculdade de Arquitetura da USP, logo me aproximei da turma mais aficionada pela música, e Cláudio Lucci já tocava e lecionava violão clássico, além de estudar cello.
Com as afinidades no progressivo (Yes, Emerson, Lake & Palmer, e as bandas italianas Le Orme, e especialmente Premiata Forneria Marconi) a gente começou a querer montar um grupo. Eu já andava com repertório extenso, muitas influências do Clube da Esquina mineiro, que era “bola da vez” aqui no Brasil.
Ao apresentar Cláudio para o Diogenes, aconteceu uma química muito poderosa, porque Diógenes sempre foi muito carismático, e assim começamos como um trio de sonhadores.
Logo Diógenes sugeriu o baixista Gerson Tatini, que morava na Aclimação, muito técnico e muito britânico em suas influências, especialmente do Gentle Giant, que era sua paixão maior.
Gerson, por sua vez, nos trouxe a indicação de Egydio Conde, que tinha muita afinidade com o blues, com Eric Clapton e com David Gilmour, então a banda estaria completa.
Quais foram as bandas ou artistas que inspiraram vocês a chegarem na sonoridade do disco lançado em 1974?
Milton Nascimento, Som Imaginário, o movimento Clube da Esquina de Milton, o Gil do “Expresso 2222”, Taiguara do disco “Fotografias”, Walter Franco, e todo o Progressivo mundial (Yes, ELP, King Crimson, Genesis, e muito fortemente as bandas italianas Le Orme e Premiata Forneria Marconi. O Moto Perpétuo era na verdade uma italianada, e ainda fomos ensaiar numa casa no Brás, então éramos chegados a essa italianice.
Como funcionava o processo de criação dos sons que você compôs para o disco? Você já mostrava as músicas com suas estruturas definidas e mais próximas do resultado final, ou a banda ainda tinha uma participação massiva nessa construção?
O grosso do repertório eu já tinha alinhavado sozinho (“Mal o Sol”, “Verde Vertente”, “Conto Contigo”, “Matinal”, “Turba”, “Os Jardins”). Mas uma vez incorporados os demais músicos, houve uma inter-relação criativa muito forte, pois os caras eram muito bons, e muito superiores a tudo que eu já havia participado, então eu comecei a compor mais e mais canções como “Sobe” e “Duas”, que já incorporavam os elementos dos demais. Cláudio, por sua vez, já tinha composto sozinho “Três e Eu” e “Seguir Viagem”.
Você lembra de quais pianos utilizou nas gravações?
As gravações foram no estúdio da Sonima, na Av. Rio Branco, Barra Funda, São Paulo, sob a produção de Peninha Smith. Havia um piano de meia-cauda de qualidade regular, possivelmente um Essenfelder (é o que eu me lembro) ou talvez um Gotrian-Steinweg... Usei ainda um Fender Rhodes, uma Echoplex, um Phaser Shifter Maestro, e um órgão Hammond, todos alugados da Transassom.
Como você vê o papel do produtor Moracy do Val no resultado do disco?
Moracy foi fundamental para conseguir nossa aprovação na Continental, com o queridíssimo Byington (presidente) e com o insuportável Rodrigues (gerente de vendas). Sem Moracy, não haveria nosso LP em 1974.
Moracy foi também influenciador com suas ligações literárias, citações de Ezra Pound, Poe... sempre foi um personagem culto, e que vinha embalado pelo sucesso dos Secos & Molhados, que tinha esse viés literário e poético muito forte. Mas Moracy já experimentava o desmonte dos Secos, a briga interna da banda, e isso prejudicou muito o Moto Perpétuo, pois ficamos perdidos com a ausência absoluta de Moracy, que não tinha muito o que fazer por nós. Depois de um único show no Teatro 13 de Maio, nada mais Moracy pode fazer pelo Moto Perpétuo.Considerando que você compôs a maior parte das faixas do álbum, qual você acha que foi a principal diferença entre o processo de criação dessas músicas para o mesmo processo em sua carreira solo, que começou na sequência?
Falando muito pessoalmente, a principal diferença seria a minha libertação da camisa-de-força que representava a ideologia do que se chamava “rock”. Essa definição era muito importante na época, era como se houvesse um código de honra para se pertencer a um “movimento” e se enquadrar no show-business incipiente que engatinhava nesse setor da música. Enquanto isso, o Brasil dos auditórios, tradicionalmente romântico, seguia com os sucessos de novelas nos programas de televisão. Eu vivia dividido, aliás como todo mundo, entre a realidade nua e crua do dia a dia de um país atrasado, e os sonhos mirabolantes de uma moda (o rock progressivo) que vinha de países tecnológicos com uma cultura totalmente diferente do primeiro mundo.
Esse choque pra mim já havia nascido resolvido: eu sempre preferi a televisão, o povão, o romantismo, então resolvi mergulhar com tudo quando a chance aconteceu. Passei a compor focado na realidade, virando cantor popular. Mas nunca deixei de gostar do progressivo e o Moto Perpétuo sempre foi e sempre será uma banda excelente, um trabalho belíssimo, que fica para ser avaliado pelas novas gerações.
Você considerou a hipótese de reunir a banda com os seus integrantes originais alguma vez depois do disco?
Não. Nunca gostei da ideia. O Moto Perpétuo foi um grupo muito paradoxal, com muitos conflitos de base. Veja só: o rock progressivo era uma estética aristocrata, devido à erudição musical, um dos seus principais alicerces. O Moto Perpétuo tinha esse viés estético de italianada do Brás, vivíamos em linhas de trens, indo para o ABC – coisa que herdamos do Cláudio Lucci, que passou a ter essa liderança junto com o Diógenes. Eles se tornaram mais líderes do que eu. Só que essa exacerbação da italianada induzia a uma estética operária: uma banda progressiva-operária? Peculiar demais.
Segundo conflito de base: a androginia era a bola da vez no mundo, questionamentos de sexualidade numa era de Alice Cooper, Lou Reed, T-Rex, Secos e Molhados, Dzi Croquettes... e o Moto Perpétuo era uma banda sem a menor vocação pra esse tipo de componentes na estética. Mais um motivo pra gente não receber destaque nenhum de mídia alguma. Todo mundo era andrógino, menos a gente. Só levávamos pedrada porque éramos altivos e nos achávamos especiais em tudo. Olhando bem hoje, acho que éramos de fato.
O rock progressivo setentista brasileiro de bandas como o Moto, O Terço, Módulo 1000 e Os Mutantes, de tempos em tempos é revisitado e redescoberto por novos amantes da música. Como você acha que o público mais jovem pode reagir a esse trabalho hoje em dia?O progressivo brasileiro é muito bom, assim como o da Itália, da Argentina... é um movimento de muita qualidade mas com um foco muito forte na técnica musical, o que o fez não ter uma compreensão plena da crítica, especialmente a crítica escrita, que sempre tem uma afinidade maior com a literatura, a poesia. De um modo geral, em termos mundiais, o progressivo não era forte em letras e versos porque privilegiava o som, o instrumento, o virtuosismo. Mas mesmo aqui havia exceções, como o grupo A Barca do Sol, que tinha Geraldinho Carneiro para escrever (bem).
Você tem alguma faixa favorita no “Moto Perpétuo”?
“Turba” e “Três e Eu” são as minhas favoritas. Mas o disco todo é de uma beleza, de uma pureza extraordinárias. Tínhamos 20 anos de idade!
Que lembrança ou sentimento você guarda com mais clareza dessa sua fase musical?
Lembro de muitas angústias, de uma luta constante contra tudo e todos, mas acima de tudo, a infinita beleza do idealismo. Isso está estampado claramente na capa, muito linda em silk screen, de autoria do nosso amigo Marcus Campacci. Isso ficará: a infinita beleza do idealismo.
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